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Sistema Solo-Planta

Dentre todos os microrganismos que habitam a interface entre as raízes de plantas e o solo, alguns fungos destacam-se, sobremaneira, ao penetrarem nas células vivas da planta hospedeira sem causar danos e, ao mesmo tempo, estenderem-se além da zona de depleção das raízes para estabelecer íntimo contato de suas hifas com os agregados e a microbiota do solo. Essa associação simbiótica formada pelo fungo com as raízes da planta hospedeira, conhecida como micorrizas (do grego: myke = fungo e rhiza = raiz), caracteriza-se pela condição mutualística, vez que ambos os organismos se beneficiam da associação e, portanto, devem ser estudadas como um sistema dinâmico e não como organismos individualizados.
Os fungos micorrízicos são formados por filamentos tubulares finos chamados hifas. A massa de hifas que forma o corpo do fungo é chamada de micélio. Existem duas classes principais de fungos micorrízicos: micorrizas ectotróficas (apresentam uma grossa bainha ou “manta” de micélio fúngico ao redor das raízes e parte do micélio penetra entre as células corticais)e micorrizas vesículo-arbusculares (aquelas que não produzem uma manta compacta de micélio fúngico ao redor da raiz, as hifas crescem em um arranjo menos denso), (Smith e cols., 1977).
Nas últimas décadas têm se multiplicado as evidências do efeito benéfico das associações micorrízicas com diversas plantas superiores de importância econômica. Vários trabalhos demonstram que as plantas micorrizadas são mais eficientes na absorção de nutrientes, especialmente o fósforo, que as plantas não micorrizadas. O mecanismo responsável por esse incremento na absorção desse nutriente foi perfeitamente esclarecido em estudos empregando o radioisótopo 32P, nos quais ficou demonstrado que, assim como as raízes, as micorrizas também usam fósforo da fração solúvel do solo. Plantas micorrizadas e não micorrizadas obtêm P da mesma fonte, isto é, a solução do solo e, como a concentração desse elemento no solo é normalmente baixa, o fluxo de massa não é suficiente para suprir as quantidades requeridas pela planta.
A micorrização representa, portanto, um importante mecanismo para a maximização do uso de fertilizantes fosfatados aplicados aos solos deficientes e com elevada capacidade de fixação de fosfatos, como aqueles predominantes nos trópicos. É bastante significativa a quantidade de trabalhos que demonstram o efeito benéfico dos fungos micorrízicos sobre o crescimento de diversas plantas de importância econômica. Em algumas espécies vegetais, é tão acentuada a dependência à presença desses fungos que, na ausência total da simbiose, não respondem satisfatoriamente à adubação fosfatada.
As fruteiras destacam-se como o grupo de plantas onde as micorrizas mereceram maior atenção no que se refere aos efeitos benéficos da simbiose. Muitos avanços científicos foram obtidos com essas plantas, principalmente devido à condição de dependência micorrízica, importância econômica da fruticultura e especialmente porque nesse grupo a infecção micorrízica foi inicialmente explorada. Em trabalho pioneiro envolvendo citros, ficou provado que a ausência dos fungos micorrízicos era responsável pelo enfezamento de plantas cítricas cultivadas em viveiros fumigados com pesticidas. Até então, essa anomalia era atribuída à “toxicidade do solo”, hipótese descartada após o estabelecimento das micorrizas, que resultou na solução do problema.
A capacidade do sistema radicular de absorver nutrientes é melhorada pela presença de hifas fúngicas externas, muito mais finas do que as raízes da planta e que podem alcançar além das áreas de solo esgotadas em nutrientes próximas às raízes (Clarkson, 1985). Fungos micorrízicos ectotróficos infectam exclusivamente espécies arbóreas, incluindo gimnospermas e angiospermas lenhosas.
As plantas cítricas, de maneira geral, exibem elevada dependência à micorrização e as vantagens mútuas dessa associação são expressas em maior disponibilidade de nutrientes, especialmente o fósforo, para o porta-enxerto cítrico e no fornecimento de fotossintatos para o endófito. Em solos fumigados ou esterilizados e que posteriormente receberam o inóculo de fungos micorrízicos, a resposta de crescimento dos citros pode ser incrementada substancialmente, como reflexo da melhor nutrição mineral proporcionada por esses simbiontes. Mesmo em solo natural, a eficiência de várias espécies micorrízicas tem-se evidenciado como maior estímulo ao desenvolvimento das plantas cítricas quando comparadas com as que não receberam inóculo.
A associação de micorrizas vesículo-arbusculares facilita a absorção de fósforo e de metais-traço, como zinco e cobre. Por se estender além da zona de esgotamento de fósforo ao redor das raízes, o micélio externo melhora a absorção de fósforo. Os cálculos mostram que uma raiz associada com fungos micorrízicos pode transportar fosfato em uma taxa quatro vezes maior do que aquela de uma raiz não associada com micorrizas (Nye e Tmker, 1977). O micélio externo das micorrizas ectotróficas também pode absorver fosfato e torná-lo disponível à planta. Além disso, tem sido sugerido que as micorrizas ectotróficas proliferam ria serrapilheira orgânica do solo e hidrolisam fósforo orgânico para transferência às raízes.

 

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